
O concreto celular (frequentemente comercializado sob o nome Siporex ou Ytong) é um material de construção valorizado por suas qualidades de isolante térmico e sua leveza. Sua estrutura alveolar, que lhe confere essas propriedades, também o torna particularmente frágil em relação às ferramentas de perfuração convencionais. Um mau ajuste ou uma broca inadequada é suficiente para ovalizar o furo, esfarelar as bordas ou fissurar o bloco em profundidade.
Por que a percussão destrói o concreto celular
A confusão mais comum consiste em tratar o concreto celular como concreto convencional. O concreto armado ou denso realmente requer um perfurador em modo percussão para avançar no material. O concreto celular, por sua vez, reage de forma oposta: a percussão provoca a ovalização e o esfarelamento do furo.
A Fischer Academy, em seu guia de instalação de buchas, classifica explicitamente o concreto celular entre as “muretas macias”. Para esses materiais, a diretriz é categórica: perfuração em apenas rotação, sem percussão. A razão está na densidade do material, bem inferior à do concreto sólido. Os impactos repetidos não encontram a resistência necessária para fragmentar adequadamente o material, eles o moem.
Em um bloco de baixa espessura, o risco aumenta ainda mais. As vibrações podem se propagar até a face oposta do bloco e provocar um estilhaçamento na saída, mesmo que a perfuração pareça limpa do lado visível. Dominar as técnicas para perfurar concreto celular passa primeiro por esse ajuste fundamental da furadeira.

Broca para concreto celular: carboneto de tungstênio ou broca de madeira
A escolha da broca depende do diâmetro desejado e do tipo de bucha a ser instalada. Duas opções funcionam bem nesse material.
Broca de concreto convencional em rotação apenas
Uma broca com ponta de carboneto de tungstênio é perfeitamente adequada, desde que o modo de percussão seja sempre desativado. A ponta de carboneto perfura o concreto celular sem esforço excessivo. O erro seria forçar a velocidade de rotação: uma velocidade moderada permite que as ranhuras evacuem a poeira sem superaquecer o material.
Broca de madeira helicoidal
Para furos de pequeno diâmetro (fixação leve, passagem de cabo), uma broca de madeira padrão atravessa o concreto celular de forma limpa. Sua ponta de centralização limita o risco de deslizamento no início. No entanto, além de um certo diâmetro, a broca de madeira carece de rigidez e o furo perde precisão.
A broca SDS-Plus não tem interesse aqui. Ela é projetada para perfuradores, portanto para percussão, e seu encaixe não se adapta a uma furadeira-parafusadeira padrão.
Protocolo de perfuração: as etapas que evitam o estilhaçamento do bloco
Além da ferramenta correta, é o método que faz a diferença entre um furo limpo e um bloco fissurado. Os fabricantes de buchas específicas para concreto celular (tipo Fischer GB ou equivalentes) condicionam suas cargas admissíveis a um protocolo preciso.
- Marcar e apontar a localização do furo com um prego ou um punção leve, sem bater forte, apenas o suficiente para criar um guia de centralização que impeça a broca de deslizar na superfície.
- Ajustar a furadeira em modo de rotação apenas e velocidade moderada, e então perfurar deixando a broca avançar em seu ritmo, sem pressão excessiva. A poeira deve sair regularmente pelas ranhuras.
- Respeitar a profundidade mínima indicada pelo fabricante da bucha. Um furo muito curto impede a expansão completa do mecanismo de fixação e reduz a carga admissível.
- Limpar o furo após a perfuração, de preferência com uma pera de ar ou um aspirador. Um furo não limpo compromete a fixação da bucha: os resíduos de concreto celular, muito finos, formam uma camada entre a bucha e a parede do furo.

Buchas adequadas para concreto celular: a perfuração não é suficiente
Perfurar corretamente não garante nada se a bucha não for projetada para esse material. As buchas universais em nylon, pensadas para concreto sólido ou tijolo, oferecem apenas uma fixação medíocre em uma estrutura alveolar. Elas se expandem nas cavidades de ar em vez de agarrar o material.
As buchas específicas para concreto celular funcionam de maneira diferente. Algumas se rosqueiam diretamente no material (buchas espirais), outras se expandem lateralmente na massa do bloco graças a aletas. A carga admissível depende do diâmetro da perfuração e do protocolo de instalação, não apenas do modelo da bucha.
Para cargas pesadas (radiador, móvel de parede), a fixação química (selagem) é a alternativa mais confiável. O princípio: injetar uma resina no furo limpo, e então inserir uma barra roscada. A resina impregna os alvéolos e cria uma fixação muito superior à de uma bucha mecânica. A perfuração deve então ser ligeiramente sobredimensionada para deixar um espaço anelar suficiente para a resina.
Espessura do bloco e limites do material
Um bloco de concreto celular usado em divisórias internas geralmente apresenta uma espessura reduzida. Perfurar no centro da espessura continua sendo a regra básica, mas em um bloco fino, a margem de erro diminui consideravelmente.
Fixar um objeto pesado em uma divisória de concreto celular de baixa espessura apresenta um problema estrutural que a perfuração, por mais cuidadosa que seja, não resolve. O material tem uma resistência ao arrancamento limitada por sua densidade. As experiências em campo divergem nesse ponto: alguns profissionais aceitam cargas significativas com uma selagem química adequada, outros recomendam um reforço com travessa de madeira ou chapa de distribuição quando o suporte é muito fino.
Antes de perfurar, verificar a espessura real do bloco e compará-la com as tabelas do fabricante de buchas continua sendo o único meio confiável de antecipar a resistência da fixação. Um furo perfeito em um material muito fino para a carga prevista não suportará, independentemente do cuidado aplicado à perfuração.